A chegada do climatério e da menopausa marca uma nova fase na vida da mulher. É comum surgirem dúvidas, e muitas vezes desconforto físico e emocional.
Entender o que está acontecendo no corpo é o primeiro passo para atravessar essa fase com mais qualidade de vida, sem naturalizar sintomas que merecem cuidado nem se assustar com um processo que é, antes de tudo, natural.
Neste artigo, você vai entender a diferença entre climatério e menopausa, os principais sintomas, por que eles acontecem, como é feito o diagnóstico, como o ginecologista avalia a intensidade dos sintomas para definir o tratamento e quando procurar um ginecologista.

Dra. Fernanda Goulart — Ginecologia e Colposcopia
Conheça a Dra. Fernanda Goulart
A Dra. Fernanda Goulart é ginecologista com atuação também voltada à colposcopia e à patologia do trato genital inferior.
Seu trabalho combina o acompanhamento da ginecologia geral, incluindo climatério, menopausa, anticoncepção e alterações hormonais, com o cuidado mais detalhado de alterações no colo do útero e no trato genital inferior.
Para conhecer mais sobre a trajetória e a forma de atendimento da Dra. Fernanda, clique aqui.
1. O Que é Climatério e o Que é Menopausa
Embora sejam usados como sinônimos no dia a dia, climatério e menopausa não são exatamente a mesma coisa.
Climatério é o período de transição em que o corpo reduz aos poucos a produção dos hormônios femininos, o estrogênio e a progesterona. Esse processo não acontece de um dia para o outro, costuma se estender por alguns anos.
É nessa fase, também chamada de perimenopausa, que os primeiros sintomas costumam aparecer. A menstruação ainda está presente, mas de forma mais irregular, com ciclos que podem ficar mais curtos, mais longos, ou com fluxo diferente do habitual.
Menopausa é um marco específico dentro desse processo. Só é confirmada quando a mulher completa 12 meses seguidos sem menstruar, sem outra causa que explique essa ausência.
Estudos populacionais brasileiros apontam idade média em torno dos 51 anos para a última menstruação, com cerca de 90% das mulheres passando por ela entre os 45 e os 55 anos.
Depois desse marco, a mulher entra no período chamado de pós-menopausa, que se estende pelo resto da vida e traz consigo algumas particularidades de cuidado que vamos detalhar mais adiante.

Menopausa é mais uma fase da vida como outra qualquer
2. Menopausa Precoce e Insuficiência Ovariana Prematura
Quando a perda da função ovariana acontece antes do tempo esperado, a terminologia muda conforme a faixa etária. Entre os 40 e os 45 anos, fala-se em menopausa precoce. Antes dos 40 anos, o termo correto é insuficiência ovariana prematura (IOP), condição que exige investigação específica.
Esse quadro pode ter diferentes causas, entre elas fatores genéticos, doenças autoimunes, tratamentos oncológicos (como quimioterapia e radioterapia) ou cirurgias que envolvam a retirada dos ovários.
Quando a menopausa chega mais cedo, o acompanhamento médico ganha ainda mais importância, já que o corpo passa mais tempo exposto à baixa produção hormonal, o que pode ter impacto na saúde óssea e cardiovascular a longo prazo.
Se você teve a menstruação interrompida antes dos 40 anos, vale conversar com um ginecologista para investigar a causa e discutir as opções de acompanhamento mais adequadas para o seu caso.
3. Por Que os Sintomas Aparecem
Os sintomas do climatério e da menopausa estão ligados à queda progressiva dos hormônios produzidos pelos ovários.
O estrogênio atua em diversas funções do corpo além da reprodução. Ele participa da regulação da temperatura corporal, da saúde óssea, da lubrificação vaginal, da elasticidade da pele e até do humor.
Quando essa produção diminui, o corpo precisa se reajustar a um novo equilíbrio hormonal. É esse reajuste que provoca os sintomas mais conhecidos dessa fase, e a velocidade dessa queda hormonal também influencia a intensidade do que cada mulher sente.
A perimenopausa afeta de 80% a 90% das mulheres, com sintomas vasomotores, urogenitais, cognitivos e do sono associados à flutuação e à redução gradual dos hormônios ovarianos.
4. Principais Sintomas do Climatério e da Menopausa
Os sintomas variam bastante de mulher para mulher, tanto em intensidade quanto em duração. Entre os mais frequentes, estão:
- Ondas de calor (fogachos), sensação súbita de calor, geralmente acompanhada de sudorese e, em muitos casos, mais intensa durante a noite
- Irregularidade menstrual, ciclos mais curtos, mais longos ou com intervalos imprevisíveis, ainda na fase de perimenopausa
- Alterações do sono, dificuldade para dormir ou despertares noturnos frequentes, muitas vezes associados aos fogachos
- Ressecamento vaginal, que pode causar desconforto nas relações sexuais e sensação de irritação local
- Alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade e oscilações emocionais mais frequentes
- Diminuição da libido
- Ganho de peso, principalmente na região abdominal, mesmo sem mudança nos hábitos alimentares
- Queda de cabelo e alterações na pele, decorrentes da redução do colágeno
- Dificuldade de concentração e memória, sintoma menos falado, mas relatado por boa parte das mulheres nessa fase

Resumo visual dos principais sintomas do climatério e da menopausa.

As ondas de calor estão entre os sintomas mais comuns do climatério.
Vale reforçar que nem toda mulher vai sentir todos esses sintomas. A intensidade de cada um também varia bastante, algumas mulheres atravessam essa fase com sintomas leves, outras sentem impacto significativo na rotina.
O acompanhamento individualizado é o que permite entender o que é esperado para o seu organismo, e o que já merece atenção médica mais próxima.

A irregularidade menstrual costuma ser um dos primeiros sinais da perimenopausa
5. Como é Feito o Diagnóstico
Na maioria dos casos, o diagnóstico do climatério e da menopausa é clínico, ou seja, feito com base na idade da paciente, no relato dos sintomas e no padrão menstrual, sem necessidade de exames complexos.
Ainda assim, o ginecologista pode solicitar exames complementares em algumas situações, especialmente quando há dúvida sobre a causa dos sintomas ou suspeita de menopausa precoce. Entre eles estão:
- Dosagem hormonal, como FSH e estradiol, que ajudam a avaliar a função ovariana
- Exames de rotina, incluindo avaliação da tireoide, já que alterações nesse órgão podem mimetizar sintomas do climatério
- Densitometria óssea, indicada conforme o perfil de risco de cada paciente, para avaliar a saúde dos ossos
Esses exames não são obrigatórios para todas as mulheres, a decisão de solicitá-los é sempre individualizada, conforme a avaliação da consulta.
Vale destacar também que alguns sintomas do climatério, como fadiga, alterações de humor e irregularidade menstrual, podem se sobrepor a outras condições, como alterações da tireoide ou anemia. Por isso, a avaliação clínica cuidadosa é importante antes de atribuir qualquer sintoma apenas à queda hormonal.
6. Climatério e Menopausa Não Significam Parar de se Cuidar
Um erro comum é achar que, ao entrar na menopausa, os exames de rotina perdem a importância. É exatamente o contrário.
O preventivo ginecológico continua sendo essencial nessa fase. O mesmo vale para a atenção a qualquer alteração no colo do útero.
O risco relacionado ao papilomavírus humano (HPV) não desaparece com a idade. E o câncer do colo do útero segue sendo uma condição que exige rastreamento contínuo, inclusive após a menopausa.
Quando alguma alteração é identificada nos exames de rotina, a colposcopia pode ser indicada. Ela permite uma avaliação mais detalhada do colo do útero, da vagina e da vulva.
Um detalhe importante: em mulheres na pós-menopausa, alguns exames, como a própria colposcopia, podem exigir preparo prévio do colo uterino com estrogênio local. Isso acontece porque o tecido dessa região também sofre alterações com a queda hormonal, ficando mais fino e sensível.

O preventivo ginecológico continua fazendo parte da rotina de cuidados, mesmo após a menopausa.
7. Quando Procurar um Ginecologista
Climatério e menopausa são processos naturais. Isso não significa, porém, que a mulher precisa apenas “aguentar” os sintomas.
Existem sinais que merecem avaliação médica, entre eles:
- Sangramento após a menopausa, mesmo que seja discreto, sempre deve ser investigado
- Sintomas intensos que interferem no sono, no trabalho ou na vida social
- Ressecamento vaginal ou dor durante a relação sexual
- Alterações de humor persistentes, como ansiedade ou tristeza que não melhoram
- Dúvidas sobre reposição hormonal ou outras formas de tratamento disponíveis
- Histórico familiar de osteoporose ou doenças cardiovasculares, que exigem atenção redobrada nessa fase
- Menstruação interrompida antes dos 40 anos, sinal de possível menopausa precoce
O estudo Menopause Experience & Attitudes, conduzido pela Astellas em seis países com 13.800 participantes, mostrou que 79% das brasileiras relatam sentimentos psicológicos negativos relacionados à menopausa, percentual acima da média global, de 66%.
Muitas só procuram ajuda quando os sintomas já estão bastante intensos. Buscar orientação antes que isso aconteça faz diferença na forma como essa fase é vivida.

As alterações de humor também fazem parte do climatério e merecem acolhimento médico.
8. Tratamento do Climatério e da Menopausa
Antes de definir qualquer conduta, o ginecologista precisa entender o quanto os sintomas estão realmente impactando a vida da paciente. Para isso, existem ferramentas validadas que ajudam a organizar essa avaliação, e uma das mais utilizadas é o Índice de Kupperman.
O que é o Índice de Kupperman: é um questionário clínico, criado ainda na década de 1950 e usado até hoje, que avalia a intensidade de sintomas como fogachos, formigamento, insônia, nervosismo, melancolia, tontura, fraqueza, dores articulares ou musculares, dor de cabeça e palpitações.
Cada sintoma recebe uma pontuação conforme a intensidade relatada pela paciente, multiplicada por um peso específico para aquele sintoma. A soma final classifica o quadro em leve, moderado ou intenso.
Esse resultado ajuda o ginecologista a decidir se é o caso de indicar tratamento, qual abordagem faz mais sentido, e também serve como parâmetro para acompanhar a evolução da paciente ao longo do tempo, repetindo o questionário em consultas futuras.
A partir dessa avaliação, entre outros fatores do histórico de saúde da paciente, são discutidas as opções de tratamento disponíveis:
Não existe uma fórmula única para atravessar o climatério e a menopausa. Cada mulher tem uma resposta diferente às alterações hormonais, e as opções de manejo variam conforme o quadro de cada paciente.
Entre as possibilidades discutidas em consulta, estão:
- Terapia hormonal, nas diferentes vias detalhadas a seguir, avaliada conforme histórico de saúde, idade e tempo desde a menopausa
- Abordagens não hormonais, incluindo medicações específicas para fogachos e alterações de humor, quando a reposição hormonal não é indicada
- Fitoterápicos, opção frequentemente procurada, discutida mais adiante neste artigo
- Mudanças no estilo de vida, como atividade física regular, ajustes na alimentação e técnicas de manejo do sono
As Vias da Terapia Hormonal
Quando a terapia hormonal é indicada, ela pode ser administrada por diferentes vias. A escolha não é apenas uma questão de preferência, cada via tem características próprias de absorção e de perfil de segurança.
Via oral: comprimidos de uso diário. É a via mais tradicional e de fácil adesão, porém o hormônio passa primeiro pelo fígado antes de chegar à circulação, o que pode influenciar fatores de coagulação e o perfil lipídico.
Via transdérmica (adesivos e gel): o hormônio é absorvido pela pele e cai diretamente na circulação, sem essa primeira passagem pelo fígado. Por esse motivo, costuma ser preferida em pacientes com fatores de risco para trombose, hipertensão ou alterações do perfil lipídico.
Implante hormonal subcutâneo: pequeno bastão inserido sob a pele, com liberação contínua do hormônio por meses. Também é uma via transdérmica no sentido de evitar a primeira passagem hepática. É um procedimento realizado em consultório, por profissional habilitado.
Via injetável: aplicações intramusculares em intervalos maiores. Tem uso menos frequente no manejo do climatério, justamente pela dificuldade de ajustar a dose e de interromper o efeito caso surja algum evento adverso.
Via vaginal: cremes, óvulos ou comprimidos vaginais em baixa dose. Atuam de forma predominantemente local, com absorção sistêmica mínima. É a via de escolha quando o sintoma principal é a síndrome geniturinária da menopausa, ou seja, ressecamento, ardência, dor na relação sexual e sintomas urinários.
Uma paciente pode inclusive combinar vias, por exemplo, usar terapia sistêmica para os fogachos e associar estrogênio vaginal em baixa dose para o ressecamento local, quando os sintomas persistem.
Vale registrar que, na prática internacional, houve deslocamento progressivo do uso oral em direção às vias transdérmicas nos últimos anos, movimento acompanhado em estudos de dispensação de medicamentos publicados na literatura recente.
No caso do implante hormonal subcutâneo, quando essa for a via mais indicada, a paciente pode ser encaminhada a colega especializado no procedimento.
E os Fitoterápicos? O Que Diz a Evidência Atual
Os fitoterápicos, especialmente os fitoestrógenos como as isoflavonas da soja e o trevo vermelho, são muito procurados por quem prefere evitar hormônios ou tem contraindicação a eles.
São substâncias de origem vegetal com estrutura semelhante ao estrogênio, capazes de se ligar aos receptores hormonais, porém com afinidade bem mais fraca que o hormônio produzido pelo corpo.
A literatura mais recente aponta um cenário de efeito modesto. Revisões publicadas na revista Climacteric, do International Menopause Society, indicam que há alguma redução dos sintomas vasomotores com o uso de fitoestrógenos, mas esse efeito costuma ser pequeno e de instalação lenta, com resultados heterogêneos entre os estudos.
Um ponto relevante é a variabilidade individual: a resposta depende em parte da microbiota intestinal de cada pessoa, o que ajuda a explicar por que algumas mulheres relatam melhora importante e outras não percebem diferença alguma.
Sobre segurança, as evidências disponíveis não apontam efeito prejudicial dos fitoestrógenos em relação ao câncer de mama, de endométrio ou colorretal quando consumidos em níveis dietéticos. Ainda assim, a suplementação em altas doses não é recomendada para mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente.
Resumindo: fitoterápicos podem ser uma opção para sintomas leves ou para mulheres que não podem usar terapia hormonal, mas não substituem a terapia hormonal em quadros moderados a intensos, e também devem ser usados com orientação médica, não por conta própria.
A decisão sobre qual caminho seguir é sempre conjunta, entre médica e paciente, considerando riscos, benefícios e o que faz sentido para a rotina de cada mulher. Não existe uma opção certa para todas, existe a mais adequada para cada caso.
Independentemente da opção escolhida, o acompanhamento não termina na primeira consulta. É comum haver reavaliações periódicas, para ajustar a conduta conforme a resposta de cada paciente e conforme mudanças que podem acontecer ao longo dos anos de pós-menopausa.
9. Terapia Hormonal Causa Câncer de Mama? Entendendo o Que a Ciência Diz
Essa é provavelmente a maior barreira ao tratamento do climatério no consultório. Muitas mulheres chegam à consulta convencidas de que terapia hormonal causa câncer de mama, e por isso convivem anos com sintomas intensos sem tratar.
De onde veio esse medo: em 2002, os primeiros resultados do estudo WHI (Women’s Health Initiative) foram divulgados apontando aumento do risco de câncer de mama, o que levou milhões de mulheres no mundo inteiro a interromper o tratamento. A repercussão foi enorme e moldou a percepção pública por mais de duas décadas.
O que mudou desde então: reanálises posteriores desse mesmo estudo, com seguimento estendido e estratificação por subgrupos, mostraram um quadro bem mais matizado do que a manchete original sugeria. Os resultados variam conforme o tipo de hormônio, a formulação, a dose, a duração e, principalmente, a idade em que o tratamento é iniciado.
Alguns pontos que a literatura atual sustenta:
- O risco absoluto é pequeno. O posicionamento de 2022 da The Menopause Society classifica o risco de câncer de mama associado à terapia hormonal como raro, estimado em menos de um caso adicional por 1.000 mulheres por ano de uso.
- Estrogênio isolado tem perfil diferente. Em mulheres histerectomizadas, que usam estrogênio sem progestagênio, os dados não mostram o mesmo aumento de risco, e algumas análises apontam até redução.
- O tipo de progestagênio importa. A literatura sugere diferenças de risco entre os diversos progestagênios disponíveis, o que reforça que não existe um efeito único de toda terapia hormonal.
- A janela de oportunidade é decisiva. Para mulheres com menos de 60 anos, ou dentro de 10 anos do início da menopausa, e sem contraindicações, o balanço entre benefícios e riscos é favorável.
- O estrogênio vaginal em baixa dose não é associado a aumento do risco de câncer de mama, por ter absorção sistêmica mínima.
Para dimensionar melhor esse risco, as diretrizes atuais recomendam que a paciente seja orientada a comparar esse aumento com fatores de risco modificáveis do dia a dia, como consumo regular de duas doses de bebida alcoólica por dia, obesidade e sedentarismo, que têm magnitude de risco semelhante.
Um marco recente: em novembro de 2025, a FDA, agência reguladora norte-americana, anunciou a retirada do alerta de tarja preta que constava nas embalagens de terapia hormonal para menopausa, justamente para refletir esse perfil de risco mais matizado, evidenciado nos estudos de seguimento.
Nada disso significa que a terapia hormonal seja indicada para todas as mulheres. Existem contraindicações reais, como histórico pessoal de câncer de mama, e a avaliação individualizada continua sendo indispensável.
O ponto central é outro: a decisão sobre usar ou não terapia hormonal deve ser tomada com base em avaliação médica do caso concreto, e não no medo herdado de uma manchete de 2002.
10. Impacto a Longo Prazo na Saúde Óssea e Cardiovascular
A queda do estrogênio não afeta apenas os sintomas mais percebidos no dia a dia, ela também tem impacto em órgãos e sistemas que não damos tanta atenção nessa fase.
Saúde óssea: o estrogênio ajuda a manter a densidade dos ossos. Com sua redução, aumenta o risco de osteopenia e osteoporose, o que reforça a importância da densitometria óssea em mulheres com fatores de risco.

A perda de densidade óssea se acentua com a idade, especialmente após a menopausa.
Saúde cardiovascular: antes da menopausa, o estrogênio oferece certa proteção ao sistema cardiovascular. Após essa fase, o risco de doenças cardíacas tende a se equiparar entre homens e mulheres da mesma idade.

O risco cardiovascular aumenta após a menopausa e merece atenção no acompanhamento de rotina.
Esses dois pontos reforçam porque o acompanhamento médico na menopausa vai além do controle dos sintomas mais imediatos, ele também é uma oportunidade de rastrear e prevenir condições que se tornam mais frequentes nessa fase da vida.
11. Apoio Emocional Durante o Climatério
As oscilações de humor e a ansiedade relatadas por muitas mulheres nessa fase não são frescura ou exagero, elas têm base hormonal e merecem ser levadas a sério tanto pela própria mulher quanto por quem está ao redor.

Conversar sobre o que está sentindo, com o médico ou com pessoas próximas, ajuda a atravessar essa fase.
Conversar sobre o que está sentindo, seja com o ginecologista, com a família ou com outras mulheres que já passaram por essa fase, costuma aliviar boa parte do peso emocional que o climatério pode trazer.
Em alguns casos, o acompanhamento com psicólogo pode ser indicado em conjunto com o cuidado ginecológico, especialmente quando os sintomas emocionais têm impacto importante na rotina. Vale conversar sobre isso na consulta, sem constrangimento.
12. Cuidados no Dia a Dia
Além do acompanhamento médico, alguns cuidados no dia a dia costumam ser recomendados durante o climatério e a menopausa:
- Manter consultas ginecológicas regulares, para acompanhamento hormonal e rastreamento de doenças
- Praticar atividade física de forma regular, o que ajuda no controle do peso e na saúde óssea
- Cuidar da alimentação, com atenção especial ao cálcio e à vitamina D
- Conversar abertamente com o ginecologista sobre os sintomas, inclusive os relacionados à vida sexual e ao humor
- Evitar o tabagismo, fator associado à antecipação da menopausa e a maior risco cardiovascular
- Cuidar da higiene do sono, evitando telas e cafeína à noite, especialmente em dias com mais fogachos
Cada uma dessas decisões deve ser tomada em consulta. O histórico clínico, os exames e as necessidades de cada mulher orientam a conduta mais adequada.
13. Mitos e Verdades Sobre a Menopausa
Por ser um tema ainda cercado de tabus, é comum que informações incorretas circulem sobre essa fase. Alguns pontos merecem esclarecimento:
“A menopausa acaba com a vida sexual da mulher”
Não é bem assim. O ressecamento vaginal e a queda da libido podem ocorrer, mas existem formas de manejo para esses sintomas. Conversar abertamente com o ginecologista sobre esse assunto é importante.
“Toda mulher precisa fazer reposição hormonal”
A reposição hormonal é uma das ferramentas disponíveis, mas não é indicada para todas as mulheres. A decisão depende do histórico de saúde e dos sintomas de cada paciente.
“Depois da menopausa, não é mais preciso fazer preventivo”
Esse é um dos mitos mais perigosos. O rastreamento do câncer de colo do útero continua sendo recomendado após a menopausa, já que o risco não desaparece com a idade.
“Os sintomas duram pouco tempo”
A duração varia bastante entre as mulheres. Para algumas, os sintomas mais intensos passam em poucos anos, para outras, podem persistir por mais tempo.
“Ganhar peso na menopausa é inevitável e não tem o que fazer”
O ganho de peso é comum nessa fase, mas hábitos como atividade física regular e ajustes alimentares ajudam no controle, mesmo que o metabolismo já não responda como antes.
Perguntas Frequentes
Reunimos abaixo as dúvidas que mais aparecem no consultório sobre climatério e menopausa.
Qual a diferença entre climatério e menopausa?
São coisas distintas. O climatério é o período de transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva, e pode durar anos. A menopausa é um marco dentro desse período: a data da última menstruação, confirmada apenas de forma retrospectiva, após 12 meses sem menstruar.
Com que idade começam os sintomas?
Os sintomas pertencem ao climatério, não à menopausa, e por isso costumam começar anos antes da última menstruação, com a mulher ainda menstruando. Não existe uma idade fixa: a percepção das primeiras alterações varia bastante de mulher para mulher.
E a menopausa quando costuma acontecer?
Estudos populacionais brasileiros mostram idade média em torno dos 51 a 52 anos, com cerca de 90% das mulheres passando pela última menstruação entre os 45 e os 55 anos.
Quanto tempo duram os sintomas?
Dados do estudo SWAN, que acompanhou mulheres ao longo de toda a transição, mostraram duração mediana de 7 anos para os sintomas vasomotores, persistindo em mediana de 4 a 5 anos após a última menstruação. Em quem começa a senti-los mais cedo, ainda na fase de ciclos regulares, a duração pode ultrapassar 11 anos.
Parei de menstruar antes dos 40 anos. Isso é menopausa precoce?
Antes dos 40 anos, o termo correto é insuficiência ovariana prematura (IOP) e a investigação médica é indicada.
Ainda posso engravidar durante o climatério?
Sim. Enquanto houver menstruação, mesmo irregular, ainda existe possibilidade de gravidez. Por isso a contracepção deve ser discutida em consulta até a confirmação da menopausa.
Parei de menstruar, posso suspender o anticoncepcional?
Essa decisão depende da sua idade e do tempo sem menstruar, e deve ser avaliada pelo ginecologista. Suspender por conta própria pode levar a uma gravidez não planejada.
Preciso fazer exames de sangue para confirmar a menopausa?
Na maioria dos casos, não. O diagnóstico é clínico, baseado na idade, nos sintomas e no padrão menstrual. Exames hormonais ficam reservados a situações específicas, como suspeita de insuficiência ovariana prematura.
Retirei o útero. Como vou saber que cheguei à menopausa?
Sem menstruação, o critério dos 12 meses não se aplica. Nessas situações, o acompanhamento se baseia nos sintomas e, quando necessário, em avaliação laboratorial definida em consulta.
Sangramento depois da menopausa é normal?
Não. Qualquer sangramento após a menopausa confirmada deve ser investigado, mesmo que seja discreto ou tenha ocorrido uma única vez.
Quanto tempo leva para sentir melhora com o tratamento?
Varia conforme o sintoma e a abordagem escolhida. Alguns sintomas respondem em poucas semanas, outros demandam mais tempo e ajustes de conduta ao longo do acompanhamento.
Por quanto tempo posso manter a terapia hormonal?
Não existe um prazo único. A duração é definida individualmente, com reavaliações periódicas que consideram os sintomas, a idade e o perfil de saúde de cada paciente.
Quem não pode fazer terapia hormonal?
Existem contraindicações bem estabelecidas, como histórico pessoal de câncer de mama, entre outras. Por isso a avaliação do histórico clínico completo é feita antes de qualquer indicação.
Terapia hormonal engorda?
O ganho de peso na menopausa está mais relacionado às mudanças metabólicas da própria fase do que à terapia em si. Isso costuma ser esclarecido na consulta, junto com orientações de manejo.
Posso usar fitoterápico junto com a terapia hormonal?
Essa combinação precisa ser avaliada caso a caso. Mesmo produtos de origem natural têm efeitos no organismo e podem interagir com outros tratamentos, por isso não devem ser iniciados por conta própria.
Preciso continuar fazendo preventivo depois da menopausa?
Sim. O rastreamento do colo do útero segue indicado após a menopausa, conforme orientação médica, já que o risco não desaparece com a idade.
Considerações Finais
O climatério e a menopausa fazem parte da trajetória natural da vida da mulher. Isso não significa que precisam ser vividos com desconforto silencioso.
Reconhecer os sintomas, entender o que está acontecendo no corpo e contar com acompanhamento médico adequado são passos importantes para atravessar essa fase com mais tranquilidade, e com atenção também à saúde óssea, cardiovascular e ao rastreamento ginecológico de rotina.
Se você está sentindo os sinais do climatério, ou já está na menopausa e tem dúvidas sobre como cuidar da sua saúde nessa fase, agende uma consulta e converse com a Dra. Fernanda Goulart.

Referências
As informações deste artigo têm como base as diretrizes e os estudos listados a seguir.
1. Harlow SD, Gass M, Hall JE, et al. Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10 (STRAW + 10). Menopause. 2012;19(4):387-395. doi:10.1097/gme.0b013e31824d8f40
2. Avis NE, Crawford SL, Greendale G, et al. Duration of menopausal vasomotor symptoms over the menopause transition (SWAN). JAMA Intern Med. 2015;175(4):531-539. doi:10.1001/jamainternmed.2014.8063
3. Panay N, Anderson RA, Bennie A, et al. Evidence-based guideline: premature ovarian insufficiency (ESHRE). Climacteric. 2024;27(6):510-520. doi:10.1080/13697137.2024.2423213
4. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794. doi:10.1097/GME.0000000000002028
5. D’Alonzo M, Bounous VE, Villa M, Biglia N. Current evidence of the oncological benefit-risk profile of hormone replacement therapy. Medicina (Kaunas). 2019;55(9):573. doi:10.3390/medicina55090573
6. Ylikorkala O, Joensuu JM, Siitonen H, Mikkola TS. Progestogens in menopausal hormone therapy: a double-edged sword. Semin Reprod Med. 2025;43(2):145-153. doi:10.1055/s-0045-1809186
7. Rowe IJ, Baber RJ. The effects of phytoestrogens on postmenopausal health. Climacteric. 2021;24(1):57-63. doi:10.1080/13697137.2020.1863356
8. Troìa L, Garassino M, Volpicelli AI, et al. Sleep disturbance and perimenopause: a narrative review. J Clin Med. 2025;14(5):1479. doi:10.3390/jcm14051479
9. Pedro AO, Pinto Neto AM, Costa Paiva LH, Osis MJ, Hardy E. Idade de ocorrência da menopausa natural em mulheres brasileiras: resultados de um inquérito populacional domiciliar. Cad Saúde Pública. 2003;19(1):17-25. doi:10.1590/s0102-311×2003000100003
10. Otero UB, Chor D, Carvalho MS, Faerstein E, Lopes CS, Werneck GL. Lack of association between age at menarche and age at menopause: Pró-Saúde Study, Rio de Janeiro, Brazil. Maturitas. 2010;67(3):245-250. doi:10.1016/j.maturitas.2010.07.003
11. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Climatério e menopausa: diagnóstico e manejo da síndrome climatérica. Femina. 2022;50(5):262-271.
12. Astellas. Menopause Experience & Attitudes (MEAS): o impacto do estigma. Estudo conduzido em seis países, com 13.800 participantes, 2023.